quinta-feira, dezembro 30, 2004

Brincando na praia

São algumas crianças, alegres, confiantes no ambiente que as rodeia, brincando na praia, enchendo de areia os seus utensílios coloridos, indo à beira-mar buscar água para fazer as ingénuas construções infantis.
Mas esse mar, que tão tranquilo e azul sempre esteve, torna-se de repente agitado, escuro e ameaçador, avançando pela terra dentro, em ondas destruidoras, ceifando o frágil equilíbrio da corrida aterrorizada que instintivamente iniciaram, após um momento de incredulidade e hesitação.
Reagiram mais rápido que os adultos, mas os seus corpos são igualmente dilacerados pela força destruidora de um mar ferido na sua estabilidade por um tremendo cataclismo.
Tantas vidas perdidas, tanta dor e destruição!
A incomensurável magnitude do fenómeno ocorrido, poderia, deveria, ter sido minorada mediante um adequado sistema de detecção e aviso, que hoje em dia já apresenta uma eficácia comprovada, e que, aliás, equipa as bacias oceânicas das regiões desenvolvidas.
As zonas de menores recursos económicos não têm essa possibilidade, embora seja gritante que têm esse direito, nomeadamente porque esses fenómenos lá se manifestam com grande intensidade, como foi o caso.
Esse sistema deverá ser posto em prática a uma escala mundial, sendo custeado (tal como a ajuda que agora está em curso) por todos os países, especialmente os mais ricos.
As consequências deste trágico e histórico acontecimento vão repercutir-se durante largos anos na economia mundial.
Não há justificação para que isso não seja feito.
Não há justificação para que as crianças não possam brincar na praia em segurança.