Será que sou eu? (Livro online)
Entra na carruagem vazia, ainda envolvido no torpor que o tinha dominado.
Tem a roupa amarrotada e molhada, o que lhe provoca uma desagradável sensação no corpo.
Dirige-se para um banco, mas é impedido de o fazer, ao passar por um grupo de três indivíduos que entraram ao mesmo tempo que ele, com aspecto de quem também vem a chegar de um sítio ou de uma situação improvável, e que pretende prolongar um pouco mais essa vivência.
-Tàs um farrapo, meu! O que é que andaste a fazer?
Nem olha para o seu interlocutor e, com um gesto brusco de enfado, que não sente como habitual, empurra-o contra os outros dois.
-Oooh! que violento! Estou a ver que tenho que te fazer a barba!
E logo aparece uma navalha, que é dirigida para a sua cara.
De uma forma inesperada e rapidíssima, bloqueia com a mão esquerda o propósito do agressor, ao mesmo tempo que lhe aperta o pulso com intensidade.
Ouve-se um "crrrccc" sinistro, e o rapaz da navalha fica estupefacto, segurando o antebraço como se fosse uma frágil e preciosa faiança chinesa, com as feições a contorcerem-se de dor. Desequilibra-se com o abanar da carruagem em andamento e cai para cima de um banco, batendo com a cabeça no encosto.
Vendo isto um dos outros indivíduos tira do bolso do blusão uma pistola, e dispõe-se a disparar contra António.
Ainda o movimento não estava a meio da sua trajectória, já a navalha com a qual tinha ficado, se encontrava espetada no braço que empunhava a arma, depois de ter sido atirada com força suficiente para trespassar o blusão de cabedal e a roupa por baixo dele
Com um berro de animal ferido, deixa-a cair e recua até à porta, curvando-se sobre si próprio; olha desesperado para fora, vendo aproximar-se a próxima estação.
Quando as portas se abrem, os três saem desordenadamente, empurrando-se, tomados de um pânico que as circunstâncias justificam em parte, mas que António sente como fora do normal.
Aliás, ele próprio se sente fora do normal, não se sente ele.
Aqueles acontecimentos não têm nada a ver com o que ele é, não se reconhece nas suas acções.
SENTE-SE COMO SE FOSSE OUTRA PESSOA!
Tem a roupa amarrotada e molhada, o que lhe provoca uma desagradável sensação no corpo.
Dirige-se para um banco, mas é impedido de o fazer, ao passar por um grupo de três indivíduos que entraram ao mesmo tempo que ele, com aspecto de quem também vem a chegar de um sítio ou de uma situação improvável, e que pretende prolongar um pouco mais essa vivência.
-Tàs um farrapo, meu! O que é que andaste a fazer?
Nem olha para o seu interlocutor e, com um gesto brusco de enfado, que não sente como habitual, empurra-o contra os outros dois.
-Oooh! que violento! Estou a ver que tenho que te fazer a barba!
E logo aparece uma navalha, que é dirigida para a sua cara.
De uma forma inesperada e rapidíssima, bloqueia com a mão esquerda o propósito do agressor, ao mesmo tempo que lhe aperta o pulso com intensidade.
Ouve-se um "crrrccc" sinistro, e o rapaz da navalha fica estupefacto, segurando o antebraço como se fosse uma frágil e preciosa faiança chinesa, com as feições a contorcerem-se de dor. Desequilibra-se com o abanar da carruagem em andamento e cai para cima de um banco, batendo com a cabeça no encosto.
Vendo isto um dos outros indivíduos tira do bolso do blusão uma pistola, e dispõe-se a disparar contra António.
Ainda o movimento não estava a meio da sua trajectória, já a navalha com a qual tinha ficado, se encontrava espetada no braço que empunhava a arma, depois de ter sido atirada com força suficiente para trespassar o blusão de cabedal e a roupa por baixo dele
Com um berro de animal ferido, deixa-a cair e recua até à porta, curvando-se sobre si próprio; olha desesperado para fora, vendo aproximar-se a próxima estação.
Quando as portas se abrem, os três saem desordenadamente, empurrando-se, tomados de um pânico que as circunstâncias justificam em parte, mas que António sente como fora do normal.
Aliás, ele próprio se sente fora do normal, não se sente ele.
Aqueles acontecimentos não têm nada a ver com o que ele é, não se reconhece nas suas acções.
SENTE-SE COMO SE FOSSE OUTRA PESSOA!

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